sexta-feira, 16 de maio de 2014



A FELICIDADE ESTÁ NAS PEQUENAS COISAS

Eu descansava deitada no sofá da sala enquanto cuidava de Duda.
Ela é uma criança calma e é extremamente agradável estar com ela.
Qualquer coisa a diverte. Adora os potes de louça onde minha mãe guarda bugigangas.
Ela despeja o conteúdo dos potes no tapete e se distrai assim.
Ora vai até o telefone. Pega o fone, faz de conta que está falando, o deposita de volta, bate palmas pra si mesma. Logo já está procurando outra coisa pra fazer.
Adora os porta-retratos. Manda beijos para o bisavô que não chegou a conhecer. Para os primos que moram distante.
Apesar de muito esperta são poucas as palavras que ela pronuncia, mas se faz entender perfeitamente com olhares e gestos.
Naquela manhã ela ficou comigo e eu simplesmente absorvia o prazer intenso de cuidar de uma criança depois de tantos anos.
Com a cabeça apoiada nas almofadas eu fingia dormir. Ela se aproximava devagarzinho e com as mãos minúsculas acariciava minha face.
Deslizava os dedinhos numa carícia tão espontânea.
Depois ela depositou um beijo leve no meu queixo.
Então não resisti. Parei de fingir que estava dormindo e a puxei para meu colo.
Pequena Eduarda, olhos encantadores.
Minha sobrinha neta!
Pensei que a felicidade está nas coisas pequeninas.
Naqueles momentos únicos.
Na ternura de duas mulheres com idades tão distantes.
A olho e recordo quando meu irmãozinho nasceu. Hoje ele é o avô de Duda. Se bem que o filho o fez avô bem jovem. Ele tinha apenas quarenta anos quando a neta lhe chegou.
Ela veio trazer tanta alegria. Enfeita a nossa vida de poesia.

É a esperança de um mundo melhor.

sonia delsin 

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