sexta-feira, 16 de maio de 2014



DONA VIDA

─ Olá, dona Vida. Eu sei que é a senhora. Como está? Estou feliz como pode ver. O sinal verde afinal... eu sabia. Esta porta que se abre para mim, dona Vida, eu sabia que um dia se abriria. Estava esperando. Eu sempre estive esperando. Nunca é demais o tempo que passamos esperando para realizar um sonho. Eu sempre acreditei. A senhora sabe. Foram anos de espera. A senhora conhece meus sonhos.
─ Eu sei, menina.
─ Não sou mais uma menina. O tempo passou...
─ Eu sei. Eu sei que não é mais uma menina. Mas no fundo é. Não morreram as luzes de seus olhos. Então é uma menina ainda. Como brilham! E vejo lágrimas neles agora. Não precisa chorar... eu sei que são lágrimas de alegria. Sorria e abrace seu sonho. Ele chegou!
─ Dona Vida. Levou um tempo enorme, mas eu sempre acreditei que um dia o sinal seria verde para mim e que as portas se abririam.
─ Os caminhos que você percorreu foram dolorosos muitas vezes. Muita dor e muitas lágrimas. Foram felizes em outros trechos e com que intensidade você viveu estes momentos também. Você esteve olhando tudo, semeando e colhendo flores. Sua vida foi um eterno semear e colher. Você esteve enfeitando um pouco o caminho por onde andou com palavras e risos. Chegou a sua hora. Esta porta já está aberta, é só caminhar por esta estrada que está à sua frente. Vai ser fácil? Não, não vai ser. Pagamos um preço por tudo. Até pelo viver. Vá, corra, menina! Aproveite este sinal aberto. É a sua hora agora. Vá...
─ Obrigada, dona Vida.
─ Não tem porque agradecer. Você fez por merecer.
─ Um beijo para a senhora.
─ E outro para você. Não se esqueça. Estou aqui a torcer. Você vai vencer.


sonia delsin 

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