sexta-feira, 16 de maio de 2014



QUE DECEPÇÃO!

Pobre mulher. Já verificou a hora mais de cem vezes nesta noite.
A angústia da espera quase a mata.
Ela pensa ─ Como ele me maltrata!
Pobrezinha!
Deixou a mesa arranjada.
Toda enfeitada.
E ele se esqueceu da data.
De tanta coisa ele se esqueceu.
Esqueceu-se de lhe enviar flores.
E ela o compreendeu sempre, ou procurou compreender.
Nem mesmo se deu ao trabalho de fazer uma ligação para se justificar.
E ela ficou tantas horas a lhe esperar...
Era a sua pressa de viver.
Do viver a correr. Sempre a correr.
Mas em busca do quê?
Antes que ele saísse para o trabalho ela havia pedido que chegasse mais cedo.
Até havia colocado o vestido novo para esperá-lo. Aquele bem sensual.
Pois a data era especial.
Por onde ele andaria?
A bela mulher se perguntava a que a que horas ele chegaria.
O vestido jogado no chão...
os brincos, o colar, as meias finas,os calçados...
Que desolação...
Tudo fora em vão.
Que decepção!
O assado nem fora provado.
E olha que até um bom vinho ela tinha comprado.
Naquela noite mandara as crianças para a casa da mãe e lhe vinha o arrependimento.
Se elas estivessem dormindo em suas caminhas sentir-se-ia menos só e beijá-las lhe daria consolo.
Que tola! Mil vezes tola!!!
O que lhe restava fazer?
Dormir e sonhar.
E sua vontade era nunca mais acordar...

A realidade era dura demais. Difícil de encarar.

sonia delsin 

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