QUE DECEPÇÃO!
Pobre
mulher. Já verificou a hora mais de cem vezes nesta noite.
A
angústia da espera quase a mata.
Ela
pensa ─ Como ele me maltrata!
Pobrezinha!
Deixou
a mesa arranjada.
Toda
enfeitada.
E ele
se esqueceu da data.
De
tanta coisa ele se esqueceu.
Esqueceu-se
de lhe enviar flores.
E ela o
compreendeu sempre, ou procurou compreender.
Nem
mesmo se deu ao trabalho de fazer uma ligação para se justificar.
E ela
ficou tantas horas a lhe esperar...
Era a
sua pressa de viver.
Do
viver a correr. Sempre a correr.
Mas em
busca do quê?
Antes
que ele saísse para o trabalho ela havia pedido que chegasse mais cedo.
Até
havia colocado o vestido novo para esperá-lo. Aquele bem sensual.
Pois a
data era especial.
Por
onde ele andaria?
A bela
mulher se perguntava a que a que horas ele chegaria.
O
vestido jogado no chão...
os
brincos, o colar, as meias finas,os calçados...
Que
desolação...
Tudo
fora em vão.
Que
decepção!
O
assado nem fora provado.
E olha
que até um bom vinho ela tinha comprado.
Naquela
noite mandara as crianças para a casa da mãe e lhe vinha o arrependimento.
Se elas
estivessem dormindo em suas caminhas sentir-se-ia menos só e beijá-las lhe
daria consolo.
Que
tola! Mil vezes tola!!!
O que
lhe restava fazer?
Dormir
e sonhar.
E sua
vontade era nunca mais acordar...
A
realidade era dura demais. Difícil de encarar.
sonia delsin

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