ATAQUE
Elas me atacaram.
Hoje me lembrei daquele dia.
Mas a culpada fui eu que fui
mexer onde não devia.
Nos alicerces de pedra fui
xeretar.
Bem onde as cassunungas
costumavam se instalar.
Que horror!
As vespas venenosas entravam no
interior de meu vestido.
Picavam meus braços e pernas,
mãos e pés.
Minha face, o couro cabeludo,
tudo.
Nada era poupado.
Em espantá-las meu trabalho era
dobrado.
Era uma confusão de tapas, mãos,
esperneações; cabelos esvoaçando e gritos.
Gritava, berrava e minha mãe
demorava.
Claro! Perto de mim ela não se
encontrava.
Numa chácara naquele tempo eu
morava.
Mas ela chegou pra me socorrer.
Que cena dura de ver. Pois uma filha um ataque estava a sofrer.
Com anil meu corpo todo banhou e
com pinças os ferrões ela tirou.
Depois... bem depois fiquei toda
inchada e acamada.
Hoje quando me lembro dou risada.
sonia delsin

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