sexta-feira, 16 de maio de 2014



TÃO IMPORTANTE, PORÉM...


Ela sentia-se tão só naquele dia. Nada conseguia alegrá-la, motivá-la. As folhas de papel amarrotadas já não cabiam na lixeira.
Nada que escrevia parecia estar bom e ela não conseguia achar um caminho para voltar a escrever.
Era uma escritora fracassada?
Não era nada? Tinha ido embora de si a alma enorme que corria o mundo em segundos? A alma que sabia buscar as sensações do universo?
As letras na telinha não tinham a mesma importância de antes. Desistia do teclado, tentava novamente preencher folhas de papel.
Não conseguia colocar os sentimentos ali, o coração.
Tudo acabado?
Não, isso não podia estar acontecendo com ela.
Escrever sempre fora a sua maior alegria na vida.
Por que o poeta perde a inspiração?
Recordou a cara lavada do palhaço. Ela o conheceu no palco e o amou intensamente. No camarim o viu de cara limpa e as lágrimas daquele homem a comoveram.
Por que o palhaço perde o riso?
Por que o mundo lhe tirara o dom de escrever?
Ou era só uma fase negra?
Ela não conseguia lembrar de si mesma sem estar fantasiando, imaginando. Criando histórias...
E sempre conseguira transferi-las para o papel.
Não, não podia deixar desmantelar-se sua alma desta forma.
O que lhe sobraria se a inspiração fosse embora de vez?
Todos aqueles anos guardados. A emoção na ponta dos dedos. Tantas palavras, tantas frases. Tanto sentimento ali.
Não, ela não seria mais nada se a inspiração fosse embora.
Mas no fundo sabia que não aconteceria com ela...
Não... era só uma fase... só uma fase ruim... logo estaria enchendo as folhas de papel, os arquivos do Word porque a alma sensível que trazia dentro de si não se perderia jamais.

sonia delsin 

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