AS BARREIRAS DO
TEMPO
Podem dizer que é utopia. Que isto não
existe. Não me importo que o digam.
Eu acredito. Acredito em portas que se abrem
misteriosamente e trazem para o nosso cotidiano o passado que ficou tão
distante.
Era uma manhã qualquer; nem era manhã ainda;
era madrugada. Aurora pra ser mais exata.
Levantei-me como os sonâmbulos o fazem e nem
o sabem que estão fazendo.
Olhei num espelho e vi uma imagem lá dentro.
Alguém que já tinha estado comigo num outro
tempo.
Fantasia?
O que pode ser maior que o sonho?
O acreditar nele, talvez.
Pois bem. Passei algum tempo diante da imagem
e ela falou comigo. Sem palavras audíveis, mas plausíveis.
Foi pura telepatia aquilo, mas existiu. Eu
garanto que sim. Investi cem por cento do meu querer naquele acontecimento.
E não era coisa de momento.
Não era passatempo, entretenimento.
Nada disso. Era algo verdadeiro. Era algo que
serviria pra me reformar por inteiro.
Nós dois sabíamos que estávamos vivendo uma
magia maluca. Algo antigo; enterrado; morto; passado. Era como se fosse um
destes feitiços que não entendemos como se começa e como se acaba.
Se é que se acaba algum dia...
Vencemos a barreira do tempo; do imaginário.
Daquilo que se afirma cientificamente que não existe.
Mas que existe sim e mesmo que não se
explique tem toda a razão para existir.
Conseguimos trazer de volta o éter de outros
tempos. Concretizamos o abstrato.
E hoje eu lhe digo. Que aurora aquela! Que
aurora!
Não há cortinas, não há véus... que consigam
ocultar outros céus.
sonia delsin

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