sexta-feira, 16 de maio de 2014



ABRINDO UM CAMINHO NO TEMPO

Adentrei nas brumas do ontem.
O ontem do tempo. Daquele que ficou tão distante.
Que a memória esquece.
Mas não desaparece.
Tive o poder de descobri-lo nas dobras de meu ser.
Foi tanto o sofrer que eu quis esquecer.

Nos separamos naquela era.
E foi numa primavera.
Eram canteiros imensos de flores vermelhas.
E eu chorava caminhando ao lado delas.
Também me volta à lembrança
um  canteiro de rosas amarelas.
Me vejo andando...
nas mãos trago um lencinho ensopado e posso ver que alguém caminha ao meu lado.
Alguém que também nos tempos de agora participou de minha vida.
Desta minha vida tão sofrida.

Naquela vida eu derrubei todas as lágrimas... me debati.
Mas nada se pode fazer. Quanto eu sofri!
Porque irremediavelmente eu o perdi.
Foi a morte que me roubou o homem que me conquistou.

Fiquei um tempo ainda a chorar e a lamentar.
Até que a morte se lembrou de me buscar.
Mas tão grande amor não podia acabar.
Nós dois precisávamos de novo nos encontrar.

E viemos.

Não mais naquela vestimenta carnal, e numa vida muito desigual.
Eu soube no primeiro instante que em minha nova existência o reencontrava.
Que como um presente dos céus você de novo de mim se aproximava.

Nunca mais fui a mesma de antes desde que descobri que você tinha voltado.
A eternidade nosso encontro tinha providenciado.
Só você não percebe que é o meu amado.
Insiste em não ficar ao meu lado.


 sonia delsin 

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